Quando a autenticidade vira desculpa
Você já percebeu que a gente usa "eu sou assim mesmo" quase sempre depois de fazer algo errado?
"Desculpa, eu sou assim mesmo, muito direto." (Depois de ter sido grosseiro.)
"É que eu sou muito reativo, meu gênio é forte mesmo." (Depois de ter explodido com alguém.)
"Eu sou transparente demais, não sei fingir." (Depois de ter magoado alguém com uma sinceridade que não precisava existir daquele jeito.)
Sabe o que acontece quando a gente faz isso? A gente transforma os rótulos que damos a nós mesmos em prisão. E o pior, uma prisão que a gente mesmo constrói, tijolo por tijolo, toda vez que se recusa a mudar.
Existe uma diferença que precisa ficar clara, porque é ela que separa o remédio do veneno:
Identidade é quem você é diante de Deus, seus valores, sua história, seu chamado. Isso é fundação, não se muda.
Comportamento é o que você faz, como você reage, como você trata as pessoas. Isso é escolha, e escolha se muda.
Caráter é o que está sendo formado dentro de você com o tempo, a colheita de todas as pequenas escolhas repetidas.
O problema começa exatamente ali, no momento em que a gente pega uma coisa da primeira categoria, que é a identidade, e usa pra justificar uma coisa da segunda categoria, o comportamento ruim. É como usar a fundação da casa como desculpa pra nunca trocar a fiação elétrica que está prestes a causar um incêndio.














