Sabe qual é o tipo de pessoa mais importante do mundo para as organizações?

Deixa eu te contar uma frase que ficou martelando na minha cabeça durante dias, depois que eu a li...

COMPORTAMENTOPROFISSIONAL

7/28/20266 min read

O QI te coloca na sala. O QE te mantém nela

Você já percebeu que tem gente brilhante, com diplomas empilhados, que não consegue manter um relacionamento saudável nem com a própria família?

E tem gente sem grande formação acadêmica que sabe, instintivamente, o que dizer no momento certo, quando ficar em silêncio, como fazer alguém se sentir visto?

Daniel Goleman colocou isso em números e pesquisa: o Quociente Emocional (QE) é muito mais determinante para o sucesso de uma pessoa do que o QI.

E aqui está a parte que eu mais gosto, a que devolve esperança pra quem se sente "sem jeito": diferente do QI, que tende a ser relativamente estável, as habilidades emocionais e sociais podem ser aprendidas, moldadas, refinadas, em qualquer idade.

Isso tem nome na neurociência: neuroplasticidade. O cérebro não é uma escultura terminada; é massa de modelar que continua respondendo ao treino, mesmo depois dos 40, dos 50 e dos 70 anos.

Ninguém está condenado a ser inábil no trato com as pessoas. Ninguém.

E tem um conceito da sociologia que eu acho fascinante: nas redes sociais e corporativas, existe uma figura chamada Broker, o conector, a ponte. É aquela pessoa que consegue atravessar bolhas diferentes: o departamento financeiro e o de marketing, o grupo mais conservador e o mais progressista, os que discordam e os que nem se falam.

O Broker traduz, reduz atrito, acelera solução. E advinha quem se torna o ativo mais valioso de qualquer organização, de qualquer igreja, de qualquer família? Exatamente essa pessoa.

Carol Dweck, com a mentalidade de crescimento, explica por que tanta gente desiste no meio do caminho: quando você acredita que lidar com pessoas é talento inato, o primeiro conflito te derruba e você pensa "viu, eu não tenho jeito mesmo".

Mas quando você entende que é habilidade, como tocar violão, como cozinhar, como dirigir, o conflito é encarado como um treino. Vira aquele momento em que o músculo social está sendo exercitado, mesmo que esteja doendo.

"A pessoa mais útil do mundo hoje em dia é o homem ou a mulher que sabe lidar com os outros. Relações humanas é a ciência mais importante da vida."

Foi Stanley Allyn quem escreveu isso, e sabe por que ela me incomodou de um jeito bom?

Porque ela destrói, de uma vez só, um mito que a gente carrega desde criança sem nem perceber: a ideia de que tem gente que "nasceu" sabendo lidar com pessoas, e tem gente que simplesmente não tem esse dom.

Eu confesso que nunca precisei me esconder detrás dessa desculpa, pois sempre tive relativa facilidade em lidar com interações sociais. Mas com muita frequência eu olho para alguém ao lado e digo “Uau! Essa pessoa é extremamente habilidosa nas interações com as pessoas!"

Mas já me deparei não poucas vezes com aqueles que estão limitados nessa área e dizem “Ah, eu sou mais reservado mesmo, não tenho jeito com gente."

Como se isso fosse uma sentença, uma característica gravada no RG espiritual da pessoa, algo que ela nasceu com e viu morrer com. Mas quanto mais eu estudo isso, na ciência e na fé, mais eu percebo que essa desculpa é uma prisão que a gente mesmo constrói e depois reclama que está trancado.

Jesus já tinha resolvido essa equação antes da psicologia nascer

Aqui é onde a coisa fica ainda mais interessante ainda pra mim, porque a ciência chegou tarde num lugar que a fé já estava ali há dois mil anos.

Jesus ensinou exatamente esse conceito, só que invertendo a lógica que o mundo usa até hoje.

Em Marcos 10:43-44, ele diz: "Quem quiser ser o maior entre vocês, seja o servo; e quem quiser ser o primeiro, seja escravo de todos."

Sabe o que isso significa? Que lidar bem com as pessoas, na ótica de Cristo, nunca foi sobre manipular pra conseguir vantagem. Nunca foi sobre ser "estratégico" com as relações pra chegar mais rápido no topo. É sobre ter capacidade de servir uma quantidade maior de gente, de forma mais eficaz.

E olha que interessante: quando Paulo escreve sobre o Fruto do Espírito em Gálatas 5:22-23: amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio, ele está, sem usar essa linguagem, descrevendo o currículo perfeito de inteligência interpessoal.

E a palavra "fruto" não é acidental. Fruto não nasce da noite pro dia. Fruto é resultado de cultivo, de estação, de raiz que foi regada sem pressa. Ninguém colhe paciência numa manhã só porque decidiu ser paciente. Ela é plantada, cultivada, na caminhada com Deus e no convívio real, muitas vezes desconfortável com as pessoas ao nosso redor.

E se você quer um manual prático de como lidar com pessoas, eu sempre digo: vai em Provérbios.

Aquele "a resposta branda desvia o furor" (Pv 15:1) não é um versículo bonito pra colocar em quadro decorativo. É uma técnica milenar de regulação emocional que funciona tão bem numa mesa de reunião hoje quanto funcionava há três mil anos.

O conceito da utilidade relacional

Grande parte das pessoas pensa que não tem nada de valor para oferecer. Pensam que por não ter aquela formação, aquele cargo ou aquela posição social não são capazes de influenciar.

Eu já todo tipo de gente em todas as esferas sociais com a habilidade de se conectar com as pessoas. Vamos considerar que o simples fato de parar para escutar uma pessoa intencionalmente é uma ferramenta de socialização.

Em outro post eu falei sobre o conceito do 80/20 aplicado as interações sociais. Escutamos 80% do tempo. Falamos 20, e desses 20 utilizamos 10 para fazer perguntas. Nos sobrará 10% de todo o tempo para falar apenas o que é realmente útil.

Todos podem ter uma grande utilidade relacional pelo simples ato de escutar.

Outra coisa importante para se aprender é a comunicação. Aumente sua habilidade de falar com clareza e respeito.

E para fechar é necessário a prática de se relacionar com as pessoas.

E aqui está o detalhe que eu mais valorizo: se a sua prática for zero, a conta inteira vira zero.

Não importa quantos livros você leia sobre empatia, quantos podcasts você escute sobre comunicação. Ler sobre nadar não te ensina a nadar. Em algum momento, você precisa entrar na água, e engolir um pouco dela.

Fechando a conversa

Lidar bem com pessoas é habilidade treinável, não dom genético. Desenvolver QE (inteligência emocional) importa mais que QI para o sucesso nas relações pessoais e profissionais. Se você acredita que não tem valor para oferecer as pessoas aplique o conceito do 80/20 da escuta.

Se você aprender a escutar vai se tornar uma das pessoas mais interessantes do mundo.

Então, agora vai lá e faz. Não adianta ficar na teoria. A teoria é importante porque ela traz a consciência do que deve ou não ser feito. Mas a partir do momento que você tem a informação, você deve ir em direção ao alvo e fazer algo com o que sabe. Sem prática intencional, todo conhecimento vira zero

Se fez sentido pra você, é porque você já sentiu, alguma vez, o peso de uma conversa não iniciada por falta da coragem e perspectiva correta, e sabe, no fundo, que não precisa continuar assim.

Essas foram algumas poucas palavras de um amigo e irmão que tem aprendido a Vencer com as Pessoas.

Eu sou André Santana e leio para melhorar a minha vida. O que leio, eu compartilho. E se te fizer sentido, então você é de casa.

Abração e que Deus te abençoe