Pessoas magoadas magoam

Nem toda pessoa que fere é cruel. Às vezes, ela só está machucada demais para perceber o quanto machuca. Pessoas magoadas magoam, até decidirem tratar a própria dor.

COMPORTAMENTOEMOÇÕES

7/24/20264 min read

A raiz que contamina

Uma ferida não tratada gera impacto comunitário.

Ela age como uma raiz que se aprofunda e se espalha, contaminando todos ao redor.

"Vede bem que ninguém se prive da graça de Deus; que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem." Hebreus 12:15

"Hurt people hurt people." (Pessoas magoadas magoam pessoas)

Quando a dor não é encarada de frente e tratada, ela deixa de ser apenas uma lembrança e vira uma espécie de filtro, que gera reações negativas e por fim uma arma, ferindo por vezes principalmente quem não merece. Torna-se um instrumento de autossabotagem contra quem a carrega.

O que acontece quando não lidamos com a ferida?

Duas consequências básicas:

A primeira, é que acabamos moldando pessoa que estão de alguma foma debaixo de nossa autoridade .(filhos, colaboradores, liderados), as formatando de forma negativa por causa da nossa péssima influência.

A segunda consequência é o Isolamento progressivo.

Sob qualquer gatilho que toque na dor, reagimos de forma negativamente e entramos em modo defensivo, atacando primeiro para não sermos feridos de novo.

Quem está sob nossa influência aprende, inconscientemente, que aquele é o padrão de comportamento. E quem observa mais de longe e desaprova, se afasta para não ser preciso administrar conflitos futuros.

O que a ciência mostra?

Que as deridas emocionais severas afetam a amígdala, deixando-a hiperativa. Qualquer pequena oposição coloca o sistema nervoso em estado de alerta, como se a sobrevivência emocional estivesse ameaçada, mesmo que não esteja.

O resultado?

  • Respostas desproporcionais

  • Agressividade repentina

  • Defesa constante

  • Frieza

  • Comportamento controlador

  • Vitimismo

  • Isolamento.

O Ciclo do Trauma

A pessoa ferida tende a recriar, inconscientemente, as mesmas práticas que a feriram no passado. É um impulso do cérebro tentando "curar" o trauma, repetindo-o vez após vez.

Cuidado ao julgar

É fácil rotular essa pessoa como "difícil". Mas ela pode estar presa em um ciclo ao qual se acostumou, em busca da própria sobrevivência.

O mecanismo de defesa é destrutivo: ela projeta nos mais próximos as inseguranças e dores causadas por figuras de outro tempo. É atacada por fantasmas do passado, mas quem sofre são os familiares e amigos reais do presente.

Compreender ≠ Ser refém

Entender o lado da pessoa não significa tornar-se refém de abusos, manipulações e agressividades.

Devemos nos colocar à disposição para ajudar e caminhar juntos, mas estabelecendo limites, especialmente se ela estiver confortável com o próprio comportamento e pouco comprometida com a recuperação.

A boca fala do que o coração está cheio

Esse ensinamento poderoso de Jesus revela uma verdade: o comportamento externo é a expressão do conteúdo interno. Um coração cheio de rejeição, traição e feridas não curadas transbordará isso sobre os outros.

Mas é preciso haver predisposição para a cura.

Deus, em Sua grande misericórdia, não quer que mascaremos nossas dores. Nele há um caminho claro de restauração, e o primeiro passo é confessar nossas dores a Ele. Em Seu cuidado, Ele providencia, na família ou comunidade, pessoas maduras para nos ajudar no processo de cura e perdão.

Como lidar com as dores

Mapeie os gatilhos, identifique as últimas vezes que você explodiu emocionalmente:

1 - Com quem foi?

2 - O que, naquela ocasião, lembrou algo difícil do passado?

Em uma crise, esse exercício tira o foco da irritação imediata e revela a ferida oculta por baixo.

Vocalize a dor em vez de atacar

Troque "Você sempre me ignora." Por "Quando você não me responde, isso aciona meu gatilho de rejeição."

Essa vulnerabilidade interrompe o ciclo da dor.

A cura é sobre relacionamentos

Buscar a cura não é apenas autocuidado, impacta a atividade mais importante para um ser humano: os relacionamentos. Somos seres sociais e precisamos uns dos outros. Gostemos ou não.

O tempo sozinho não cura feridas, apenas as infecciona.
O que cura é o que fazemos com o tempo que temos.

Busque pastoreio, mentoria, terapia, ou todos ao mesmo tempo.

Esse texto foi escrito com base em um profundo estudo do livro Vencendo com as Pessoas de John C. Maxwell, somado a leitura de mais de 350 livros nos últimos anos.

Eu submeti esta leitura ao meu método de uso particular que batizei de Ide-ação, o qual estou testando em meu dia a dia por alguns meses.

Foram 90 insights poderosos que extrai do livro e agora estou compartilhando os mais importantes aqui no blog, no meu canal do Youtube e em meu instagram.

Essas foram algumas poucas palavras de um amigo e irmão que tem aprendido a Vencer com as Pessoas.

Eu sou André Santana e leio para melhorar a minha vida. O que leio, eu compartilho. E se te fizer sentido, então você é de casa.

Abração e que Deus te abençoe