O botão do pânico: que está destruindo seus relacionamentos

Existe um botão do pânico no seu cérebro que sabota seus relacionamentos sem avisar. Entenda a conta bancária emocional e desarme o medo antes que seja tarde.

COMPORTAMENTOESPIRITUAL

8/2/20265 min read

Não basta corrigir a lente, é preciso se preparar pra entrar

Se você acompanhou o conteúdo anterior sobre Por que cometo os mesmos erros, que distorce sua percepção das pessoas, hoje eu quero te levar a mais um movimento nessa linha de raciocínio.

Porque não basta consertar a lente. É preciso também se preparar antes de entrar em relacionamentos novos, fases novas, projetos novos.

Você já percebeu que a gente costuma acreditar que relacionamento acontece naturalmente, como se fosse água que corre e encontra seu próprio caminho? Essa crença, sem nenhuma avaliação honesta do nosso próprio comportamento, é a receita perfeita pra fracasso.

E eu preciso te dizer uma coisa que pode incomodar no início: construir relacionamento saudável e duradouro não tem relação nenhuma com ser a pessoa mais simpática ou mais sorridente da sala.

Esse é o segundo grande princípio que que eu tirei da leitura de Vencendo com as Pessoas, de John Maxwell.


O livro fala sobre vinte e cinco princípios, mas utilizando meu método Ide-Ação eu extrai noventa insights, porém para compartilhar em meu canal do Youtube Ide-Ação com André Santana, eu separei os cinco maiores princípios, e esse é o segundo.

Tenho certeza que essa reflexão vai te ajudar mesmo que você já tenha se machucado feio com relacionamentos no passado, porque hoje a gente vai até a raiz do seu medo de fracassar com as pessoas.

E quem sabe você seja exatamente o tipo de pessoa que tenta, com toda a sinceridade, enxergar o melhor nas pessoas.

Você dá o benefício da dúvida, você perdoa rápido, você se esforça pra construir algo bom.

Mas mesmo assim, quando você entra num relacionamento novo, de qualquer tipo, as pessoas vão embora.

Sabe o que pode estar por trás disso?

Dois tipos de mentalidade que funcionam como arma perfeita pra implodir qualquer relacionamento, sem fazer barulho, sem avisar, só minando o terreno até tudo desmoronar.

Relacionamento é como uma conta bancária, e toda conta tem extrato

O primeiro movimento pra entrar bem num relacionamento novo é entender uma coisa: relacionamento funciona exatamente como uma conta bancária emocional.

Stephen Covey ensina isso de um jeito que eu nunca mais esqueci. Nessa conta, você faz depósitos com confiança, atenção e boas atitudes. Ou você faz saques, com mentiras, egoísmo, promessas que nunca cumpre. E cada saque desses grita uma mensagem silenciosa pra outra pessoa: "eu não me importo com você."

Quer fazer um depósito grande ainda hoje?

Pratique o que chamo do 80/20 da escuta ativa. Você escuta 80% do tempo e fala só 20%. E desses 20%, metade precisa ser pergunta, pergunta pra entender de verdade o outro, não pergunta retórica pra parecer inteligente na hora da resposta.

Eu já fiz muito isso, como quem prepara terreno pra brilhar na resposta, e isso é só egoísmo disfarçado de interesse.

Faça essa escuta hoje, e você já dá o primeiro passo pra parar de fazer julgamentos antes da hora.

E, naturalmente, as pessoas vão se sentir mais seguras com você, porque presença segura não é tão comum, e todo mundo sente falta dela sem saber como dar um nome pra ela.

Blindando o corpo contra a biologia do pânico

O segundo movimento é blindar seu corpo contra a biologia do pânico.

Falta de sono, excesso de trabalho, conflito constante, ambiente instável, isso tudo é fábrica de cortisol, o hormônio do estresse.

E quando você está com o cortisol nas alturas, você fica reativo, briga por qualquer coisa: política, religião, futebol, qualquer estímulo pequeno vira estopim.

O contrário disso é gerar ocitocina, o hormônio do amor e da conexão. E como você faz isso na prática?

Agindo como doador, termo que eu peguei de Adam Grant, que estudou por anos a diferença entre pessoas que dão, que tomam e que fazem trocas equilibradas nas relações.

O Doador cooperativo (ou alterísta) demonstra cuidado, cumpre compromisso, e assume só aquilo que realmente cabe na agenda.

Parece básico? É básico. Mas então vai lá e faz.

E olha, antes de eu continuar: se organizar sua agenda e cumprir as pequenas promessas te parece pouco, saiba que é exatamente isso que te torna, aos olhos dos outros, absurdamente mais confiável.

Confiança não se constrói em grandes gestos, se constrói em detalhe cumprido, repetido, sem cobrar aplauso.

Fechando o assunto

Uma última coisa antes de você seguir com o seu dia: não entre em novos ciclos ancorado no passado.

• Faça depósito positivo na conta emocional.

• Lembre-se do 80/20 da escuta ativa.

• Fuja do cortisol gerando vínculo seguro.

• E desarme o botão do pânico gerindo os três eixos, Deus, você mesmo, e as pessoas.

Pondere tudo isso e tenha em mente que o temor do Senhor e a paciência são a base de toda essa sabedoria.

Se fez sentido pra você, é porque você já sentiu, na pele, o peso de um relacionamento que terminou antes mesmo de começar de verdade.


Eu sou o André Santana. Eu leio para melhorar a minha vida. O que aprendo eu compartilho. E se te fizer sentido, então você é de casa.

Um abraço e fica com Deus.

Por que seu cérebro aperta o botão do pânico quando um vínculo balança

Agora vamos pro terceiro movimento: desarmar esse botão do pânico.

Você sabe por que o cérebro dispara esse alarme quando um relacionamento começa a balançar?

A ciência responde com uma explicação evolutiva: é o medo instintivo de morrer ao se separar do bando. Nos primórdios da humanidade, ficar isolado significava morte certa, sem proteção do grupo, sem comida, sem defesa.

Mas espiritualmente falando, eu acredito que existe uma camada mais profunda ainda. É um medo instintivo de desconexão que começou lá atrás, quando a humanidade se separou do próprio Criador.

Nós carregamos, geneticamente e espiritualmente, um pavor de perder vínculo, porque fomos feitos pra comunhão, e qualquer ruptura toca numa ferida que é mais antiga do que qualquer trauma pessoal que você já viveu.

A proteção pra isso está em desenvolver relacionamento profundo com Deus, que o enche de sabedoria pra lidar consigo mesmo e com os outros.

Está em cultivar autocompaixão, liberar perdão pra si mesmo pelos erros do passado, porque quem não se perdoa carrega uma ferida aberta que sangra em cima de qualquer pessoa que se aproxima.

Está em entender que a pessoa na sua frente, assim como você, foi feita à imagem e semelhança de Deus, e que Ele pagou um preço alto por ela.

Mas você também vai precisar aprender a dizer não. Fazer isso com elegância e gentileza estabelece os limites necessários.

E em alguns casos, você vai precisar de ajuda profissional, psicológica ou pastoral. Não ignore isso. Não é fraqueza; é sabedoria.

Quando você tem compromisso com a verdade, estabelece limite, e entende o propósito espiritual dos três eixos relacionais:

• Pra cima com Deus

• Pra dentro consigo mesmo

• Pra fora com as pessoas

Você elimina duas mentalidades destrutivas: a de vítima, o mártir que sempre foi injustiçado, e a de tomador, o parasita que só suga e nunca contribui.

E aí, só aí, você se torna capaz de gerar a sinergia onde 1+1 é igual a 11.